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domingo, 27 de abril de 2014

Tragédia petista em Esperantina – a propósito da minha saída do Grupo Cidadania

Francisco Sulo
Esperantina, provavelmente, seja a pior cidade do Bico do Papagaio atualmente, ainda que não saibamos ao certo o grau de dificuldades por que passam outros municípios próximos.

A isso podemos relacionar, a título de causa principal, o governo petista do professor Bina, eleito com uma maioria esmagadora de votos que contava, além daqueles que jogam a famosa política de retribuições, muita gente a quem não agradava um segundo mandato da família de Dr. Armando com as bênçãos de Amélio Cayres. Infelizmente o escapismo pareceu a pior alternativa, o que mostra que muito temos que aprender de política na condição de meros eleitores.

Por outro lado escrevo também este texto para expressar o meu abandono por qualquer expectativa em relação à cidade em que moro desde 1985, quando sequer era cidade e nem imaginava que sofreria tão cruéis suplícios políticos por políticos domésticos e aventureiros estrangeiros. Se por um lado conta pra minha indiferença a mudança de domicílio de trabalho, devo acrescentar sobretudo a descrença na mudança para Esperantina. As últimas eleições foram trágicas para qualquer idealismo políticos que insista em sobreviver e o reconhecimento de que o ser humano é mal, legado do Cristianismo[1], parece se transformar em fundamento das minhas crenças sobre política. Devo acrescentar que não se trata do tipo de indiferença condescendente com as ideias de direita cristã ratificadoras do status quo, muito menos a atitude de quem a partir de agora buscará explorar o máximo que se pode extrair de um sistema político marcado pela trajetória do homem cordial[2].

No que diz respeito às minhas frágeis convicções cristãs sobre política, que assumem a maldade humana como premissa irrevogável, agrava-as exatamente reconhecer que pelo menos no Brasil não se pode contar com um desenvolvimento de uma consciência política que gere boas perspectivas, por ter sido a mesma construída, desde início, por práticas que foram desde o cunhadismo[3] às modernas formas de coronelismo, e que parece, não obstante, sentir-se muito bem com suas características culturais. Devo dizer, no entanto, que ao assumir a ideologia cristã como fundamento, dentre outros, para a compreensão da política, isso não equivale a dizer que a conversão do Brasil à fé cristã seja a solução para nosso problema, muito menos a implementação de uma teocracia. À proporção de cristãos no Brasil não correspondem mudanças políticas efetivas, na medida em que todos, cristãos e não cristãos, compartilhamos da mesma cultura secular política brasileira. Mais motivos então para o pessimismo.

Diante de tudo isso quero anunciar, pois, minha saída do grupo Cidadania, que ajudei a construir com alguns companheiros de ideias e de jornada, que comigo viram muitos cederem às pressões da cultura política hegemônica no decorrer do caminho. Para todos tinha no caminho uma pedra, uma pedra de tropeço, diversa para cada um. A minha é a do desânimo agravada pela necessidade de ir embora, de tentar a vida noutra cidade.

Que Esperantina, como a Fênix mitológica, possa ressurgir das cinzas a que está reduzida, difícil para mim dizer isso, dada a minha descrença no poder de muitos dos mitos de nossa cultura ocidental.


[1] http://franciscosulo.blogspot.com.br/2012/06/utopia-politica-de-g-k-chesterton.html Compartilho da utopia política de G.K.Chesterton, que tentei resenhar no texto constante do blog com o link acima.
[2] Cf. HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil.
[3] Cf. RIBEIRO, Darci. O povo brasileiro. São Paulo: Companhia de Bolso.

sábado, 8 de março de 2014

O que é a mulher?

Francisco Sulo

Maria, a mulher de quem sou marido
Neste dia 08 de março podemos, além de parabenizar as mulheres, refletir sobre o que elas são. Não do ponto de vista da biologia ou de uma suposta essência ontológica que a determine, mas do ponto de vista mesmo de como foram constituídas as mulheres ou de como elas próprias se constituem.


Não estou muito certo de que as mulheres, em cada época e lugar, sejam o que são porque é da vontade de Deus ou em razão de sua suposta natureza físico-biológica inferior, embora muita gente acredite tão facilmente nisto. Se há uma igualdade a ser considerada, essencial ou histórica, ela precisa levar em conta a igualdade real entre homens e mulheres e qualquer coisa que vá além disso deve ser vista com desconfiança por todos nós, seres humanos.


Se há uma essência ontológica feminina, historicamente ela assumiu feições práticas múltiplas, a ponto de ser justificadamente ignorada hoje qualquer tentativa prática de impor modelos de gênero baseados nessa suposta essência. À mulher já coube o trabalho que a limitasse intencionalmente ao espaço doméstico, a equiparação às mais indignas condições humanas e animais, a privação do prazer sexual, a recusa aos direitos políticos e às posições eclesiásticas. Noutras palavras, se em todas essas circunstâncias históricas recorria-se a modelos transcendentais para fundamentar os papeis femininos fica claro que esse modelo ou apresenta múltiplas facetas ou tudo não passa de imposições masculinas que precisam ser explicadas a partir do contexto de relações entre os gêneros, que embora pautado pelo conflito, é evidente que o vencedor é sempre o homem.


É por isso que essa data não é apenas espaço para se parabenizar o “sexo frágil”, numa espécie de compensação para com o suposto inferior dos gêneros. Qualquer consciência que assim considera o 08 de março é legatária e vítima de uma mentalidade milenar que ainda assume a suposta superioridade masculina sobre a feminina, embora adote a atitude politicamente correta da congratulação no Dia Internacional da Mulher como uma espécie de compensação e purificação da consciência.


Assumir o caráter histórico da construção da mulher é, hoje, a melhor forma de parabenizá-las pelo seu dia.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

A história de Esperantina contada a partir do cupuaçu



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Francisco Sulo
Daqui a alguns dias será realizada mais uma edição da Festa do Cupu, acredito, e gostaria de tecer algumas considerações sobre uma ainda indefinida cultura do cupuaçu relacionada à história local. É possível pensar algo nesse sentido? Creio que sim. A depender da realização sucessiva da festividade nada se construirá nesse sentido, senão apenas uma compreensão por parte dos mais atentos ao modo como uma festividade baseada aparentemente num fruto pode contribuir para a manutenção de ideias e práticas políticas retrógradas ainda que eficientes para manutenção do status quo.

Pra começar afirmemos que o cupuaçu compõe a história de Esperantina e das formas de consciência de sua população na medida em que as representações populares se constroem em relação com o que compõe o espaço de atuação do ser humano, sendo recíproca a relação entre o homem e os elementos naturais da interação que, por isso mesmo, deixam de ser simples elementos naturais.

O CUPUAÇU NATIVO

Uma história da comunidade esperantinense construída a partir do cupuaçu precisa levar em conta, pra começar, a constituição de uma rotina de trabalho em que o cupuaçu intervêm alterando o fazer diário dos primeiros moradores locais. Se noutras circunstâncias haveria um horário de ir pra roça e outro de retorno, em Esperantina esse horário precisou, enquanto durou a caça ao cupu, ser antecipado para algumas horas antes, pois coletar cupu nas matas próximas à roça cultivada se tornara importante seja do ponto de vista da alimentação da família quanto da constituição da renda doméstica, quando não se dispunha ainda de empregos públicos ou de particulares e enquanto o arroz e outras leguminosas atingiam a época da colheita. Era comum, pois, desde as quatro da manhã já se notarem lavradores em direção à Tobasa, nome que designava toda a região em direção à confluência dos rios Araguaia e Tocantins, à altura da Pedra de Amolar, e havia os que iam exclusivamente para a coleta do fruto.

Aos poucos já se constituíam sociedades de negociadores, intermediadores do cupu, afora os que empreendiam o negócio individualmente, tornando tanto a atividade de coleta quanto a de aquisição uma das fontes de renda da pequena Esperantina do final dos anos 80.

Mas não só os horários diários do lavrador, agora lavrador/coletor ou simplesmente coletor, haviam sido alterados, mas as próprias formas de se coletar o fruto, o que demonstra uma construção progressiva do saber sobre o cupu por parte dos lavradores locais, que já não apenas competiam entre si pelo horário cada vez mais antecipado em que saíam de casa, mas pelo recolhimento do fruto ainda na árvore, que era em seguida ocultado na terra sob folhas, abafado. Tratava-se do mercado incipiente do cupu e a própria rotina do fruto alterando-se em relações recíprocas.

Cumpre ressaltar as adversidades que a rotina do cupuaçu enfrentava nesses anos. A começar pelas dificuldades logísticas. Numa época em que bicicletas eram raríssimas e jumentos eram sinal de distinção econômica, um homem e um menino (eu e meu pai) não conseguiam transportar mais que dez frutos num trajeto que podia somar até 15 km só de retorno. Acrescente-se a isso a competição dos horários, o macaco que arrancava os frutos à árvore ainda verdes, sem estarem sequer “de vez”, a derrubada da árvore para a retirada completa dos frutos para amadurecem “na folha” e o crescente desmatamento da floresta para se fazerem as roças. Motivadas cada vez mais pelas possibilidades de lucro, eram ainda frequentes as compras de cupu “na folha”, uma expressão que correspondia à ampliação de uma prática que já se realizava em relação ao arroz, isto é, comprar, em dinheiro vivo e não fiado, o produto ainda verde. Percebem-se aqui, pois, transformações ou aquisições que se davam nos aspectos econômicos, sociais e até linguísticos da comunidade esperantinense em suas relações com o cupuaçu.

A importância econômica do cupuaçu poderia, em algum momento, ser dividida com outros produtos nativos locais, como a bacaba, que também rendia dinheiro na sede do povoado. Produtos de menor valor econômico, como o caju-de-janeiro e o cacau amarelo eram preteridos a despeito de seu caráter também exótico e sabor atraente. O bacuri, posto que de muito valor, era mais raro e, assim como a castanha-do-pará, eram muito disputados pelos madeireiros.

O fato é que em menos de dez anos essa riqueza nativa se desfez junto com a derrocada das florestas pelos madeireiros. A beleza das espécies, se havia, fora transvalorada do ponto de vista econômico, sem mencionar o fato de que o arroz, produto máximo da agricultura local, necessitava de vastas extensões de terra derrubada e queimada para o seu cultivo.

O CUPUAÇU DOMESTICADO

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A facilidade com que o cupuaçu se domesticou se deve sobretudo, acredito, à percepção de sua fácil germinação nos quintais onde se depositavam sem propósito as suas sementes. Era visível como logo depois de alguns dias de jogadas as sementes ou caroços erguiam-se brotos de uma coloração atraente que mudava gradativamente do vermelho característico inicial ao verde próprio da árvore produtora, semelhante ao que ocorre com algumas mangueiras. Essa percepção de como se plantar o cupu logo rendeu na tentativa de constituição de diversos sítios em redor do casebre ilhado pelas plantações de arroz. Como se deixavam espaços em aberto que separassem a roça de arroz do barraco onde os lavradores se estabeleciam (um dos fatores que contribuíam para essa extensão de terreno em redor era o risco de incêndio, pois muitos barracos eram construídos antes de queimadas as roças), era fácil semear os caroços de cupu apenas lançando-os à certa força. Quando se fazia a segunda roça, o que exigia novo desmatamento, mais distante, sobravam os espaços da anterior, que eram ocupados com mandioca, feijão ou o cupuaçu, o que possibilitou a sobrevivência dos vários sítios que se veem na região.

Essa domesticação do cupuaçu não se deu, entretanto, sem maiores dificuldades, em que pesem as facilidades de germinação já mencionadas. Cedo ainda os agricultores aperceberam-se de que a planta não se dava muito bem com a luz do sol. Pareciam ignorar que os cupuaçuzeiros que se notavam nas matas depois destruídas pareciam não concorrer com as outras árvores, conforme a clássica analogia que muita gente faz para reforçar o argumento da seleção natural das espécies. Era como uma espécie de comensalismo entre o cupuaçuzeiro e as demais árvores, que pareciam emprestar sua sombra àqueles. A saída encontrada então foi utilizar plantios temporários que permitissem o desenvolvimento dos cupuaçuzeiros até que atingissem um estágio em que a luz solar não mais os ameaçassem. A mandioca foi uma dessas alternativas e muito promissora, a julgar pelas inúmeras casas de farinha que se notavam na região. A mandioca consumível cozida, no café da manhã, também era bastante utilizada, ou a macaxeira, conforme era chamada, fosse a branca ou a cacau, a amarela. Uns dez anos mais tarde se confirmaria uma das mais duras constatações sobre o plantio do cupuaçu: o plantio deveria ter sido feito atendendo-se a determinadas distâncias que permitissem um desenvolvimento que possibilitasse a produção a longo prazo, ainda que com árvores mais esparsas. O simples arremessar sem propósito das sementes não observou esse fator evidente em outros cultivos e observável também no cupuaçuzeiro nativo, pois sua árvore não se dava próxima de outras e sempre estava dotada de uma copa frondosa, diferente daquelas domesticadas, como se fossem plantações de eucalipto, disputando tão proximamente uma pequena extensão de solo e recursos minerais.

Obviamente que se seguiram a esses muitos saberes sobre a domesticação do cupuaçu, inclusive relacionados aos períodos de chuva e seca e quais tipos de terrenos locais lhe eram mais propícios.

O CUPUAÇU NA ALIMENTAÇÃO

Em princípio a dificuldade de a polpa do cupu largar da semente foi enfrentada com a utilização de uma espécie de pequena haste trifurcada. A trifurcação de pau era pressionada sobre os caroços com polpa até que a maior parte desta era largada. Aos pedaços de polpa se juntavam açúcar, muito açúcar, e água. O acréscimo de farinha tornava tudo isso um guisado de sabor invejado e substituía, muitas vezes, o arroz com feijão que formava a base da alimentação dos agricultores locais. Ressalte-se que essa substituição não era fato esporádico, dada a carência de muitas famílias que precisavam aguardar colher o arroz para poder utilizá-lo na alimentação cotidiana, enquanto que a farinha era comprada a preço baixo ou preparada em casa.

Com a intensificação da atividade pecuária na região acrescentou-se ao cupu o leite de gado e, depois, com a eletricidade, o uso do liquidificador na trituração. Mas até que se chegasse mais tarde à famosa vitamina de cupuaçu dissolvida em leite condensado, dispensando-se a farinha como mistura principal, muitos anos se passaram. Entrementes, a tesoura passou a ser utilizada como instrumento para a despolpa do cupuaçu, com um índice de desperdício de polpa quase nulo.

 
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O LEGADO DO CUPUAÇU


Hoje é evidente o grau das transformações em todos os aspectos da vida operados pelo relacionamento entre o lavrador e o manejo do cupuaçu. Do ponto de vista do conhecimento ampliaram-se as discussões entre os próprios lavradores, algumas vezes assessorados por técnicos disponíveis, sobre o modo como se devem preparar os sítios e combater a vassoura-de-bruxa, peste que também acomete os cupuaçuzeiros. Muitos visitantes que por aqui passaram resolveram investir em sítios em suas respectivas localidades, desde que passíveis do plantio e desenvolvimento desse fruto tipicamente amazônico.

Nos sítios em geral ou mesmo em residências que contêm cupuaçuzeiros é possível ver a atividade de despolpa do fruto com a tesoura. Nos sítios é causa de reunião familiar cotidiana, o que evidentemente resulta em manutenção ou novas formas de organização da vida familiar rural, de criação de narrativas rurais facilitadas pela permanência do núcleo familiar em torno da atividade econômica e de uma nova dieta que é composta pela vitamina do cupu em determinados horários do dia e que é um cartão de visita para o viajante.

Do ponto de vista da tradição medicinal é evidente o modo como o azeite destilado do caroço seco de cupuaçu se integrou à farmácia rural e, economicamente, muita gente se mantém ainda – e melhor agora – a partir da compra e venda da polpa de cupuaçu.

Mas talvez um aspecto da história local relacionada ao cupuaçu mais contraditório seja aquele que diz respeito à criatividade transvestida de indolência. Sem querer fazer considerações de ordem moral ficará evidente e justificado, no entanto, o que quero dizer com isso. É que se o esperantinense foi capaz de desenvolver uma relação criativa com o cupuaçu desde os anos 1980 o mesmo não se pode dizer das potencialidades que não foram ainda exploradas. A ausência de sítios que disponham de despolpadeiras para beneficiar o fruto muito pode dizer sobre a indiferença dos agricultores em relação às possibilidades de otimizar um processo que atualmente demanda muito tempo e não valoriza o produto. Alguns reclamam da perda de polpa ou de sua má qualidade quando em contato com a máquina. Entretanto outros elementos parecem reforçar a ausência de empreendedorismo por parte dos agricultores locais – trata-se da dificuldade que têm em enfrentar a possibilidade de otimizarem não só o processo relacionado à despolpa do cupu, mas aquele também relacionado às atividades agrícolas em geral, através de projetos de financiamento para uma produção mais ambiciosa e potencialmente disponível. O medo de se integrarem a projetos cooperativistas também traz muita luz sobre esse aspecto de timidez para a produção mais ampla dos agricultores locais, enquanto muito diz também sobre o quanto não estão dispostos, em seu individualismo, a cooperarem com organismos que possam contribuir para o escoamento da produção. É verdade também que o histórico de tentativas de se trabalhar com cooperativas aqui não é muito animador.

Enfim, muito se pode dizer do cupuaçu em Esperantina e muito o cupuaçu tem a dizer sobre os esperantinenses. Sua economia tímida, suas relações coletivas de produção praticamente inexistentes, sua escola, que não elegeu a produção agrícola como objeto de estudo, pesquisa e ensino, suas relações familiares, estas, sim, marcadas pela presença do cupuaçu ainda hoje como elemento unificador de algumas famílias rurais, assim como noutro tempo o foram a fogueira e o ancião, enfim, o cupuaçu tem muito a dizer sobre nós.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Saúde em greve!

Servidores da Saúde em frente ao Posto de Saúde

Francisco Sulo
A saúde em Esperantina está em greve. Pra quem passa em frente ao Posto de Saúde local desde ontem é visível a paralisação dos servidores da Saúde, que estão trajando coletes contendo a designação “Greve” e estirando faixas com suas reivindicações. A redação do blog Cidadania em Esperantina conversou nesta manhã com representantes da direção local do Sindicato.

De acordo com os representantes dos grevistas a pauta de reivindicações se baseia em dois pontos principais: 1) a aprovação do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) e 2) a concessão de reajuste de 15% para compensar a perda salarial de algumas categorias que remonta já há aproximadamente dez anos de atraso. 

Em relação ao PCCR, segundo o sindicato, desde 2008 já tramitava um projeto de lei que não teve desde então a atenção do poder público local. Atualmente há uma reformulação do projeto aguardando aprovação, mas, ao que parece, a administração insiste em retardar os trâmites. Há informações ainda de que a Câmara está no aguardo do projeto para proceder aos procedimentos de análise e votação.  O PCCR, além de questões de ordem salarial, contém também, segundo a representação do sindicato ouvida, critérios para a progressão na carreira baseada em dispositivos donde constam processos de formação do trabalhador.

No que respeita ao reajuste, a informação é que houve negociação entre a administração local e representante do Sindicato estadual dos trabalhadores da saúde (SINTRAS) para a concessão do reajuste logo que os recursos possibilitassem realizá-lo. Para o Sindicato os recursos existem, o que falta é a vontade política do administrador local.

A administração ainda teria feito proposta de reajuste às variadas categorias que compõem o quadro de servidores da saúde local, que variam entre 5% e 24,5%, mas que não correspondem em média aos 15% negociados pelo sindicato.

O governo do PT local, chefiado pelo professor Bina, já vem acumulando uma insatisfação generalizada desde o ano anterior, o primeiro de mandato. Desmandos coletivos, processos licitatórios temerários, descuidos para com as ruas e o serviço público em geral se associam para caracterizar a atual administração como uma das piores já vivenciadas pela comunidade esperantinense, em que pese o caráter revolucionário e popular que marcou a eleição do professor Bina.

Cidadania em Esperantina

Esperantina, Tocantins, Brazil
Somos um grupo de trabalhadores que se preocupa com Esperantina. Promovemos reflexões, discussões e a formação da comunidade para a participação e a cidadania.